Seminário em Lagoa Santa reúne mais de 60 instrutores de programas especiais do SENAR Minas

Seminário em Lagoa Santa reúne mais de 60 instrutores de programas especiais do SENAR Minas

25.09.15.d

Pouco mais de 60 instrutores dos programas especiais do SENAR Minas vindos de várias cidades mineiras se reuniram em Lagoa Santa para um Seminário de Atualização. Entre os dias 21 e 24 de setembro, profissionais que atuam em programas como Jovem no Campo, Gestão de Qualidade em Campo (GQC), Formação Por Competência e GQS tiveram palestras, oficinas e dinâmicas para debater formação por competência, legislação ambiental e trabalhista, empreendedorismo e outros assuntos relacionados ao agronegócio e à aprendizagem.

Na manhã de terça-feira, 22, eles assistiram a palestra “Qualificação Profissional – Tendências e Desafios na América Latina”, da consultora uruguaia Nina Billorou, da OIT/Cinterfor (Centro Interamericano para o Desenvolvimento do Conhecimento na Formação Profissional). Em sua fala, ela abordou os processos de formação e desenvolvimento de competências.

Nina expôs os desafios para a formação profissional hoje, como a necessidade de um trabalhador que possa incorporar as inovações, aprender ao longo da vida e desenvolver as novas competências e capacidades que surgem – “que possa renovar-se permanentemente”, frisou. Este profissional deve ser polivalente: especializado em uma área, mas com uma visão global.

Obstáculos e oportunidades No entanto, na América Latina, ainda se encontram os obstáculos da baixa produtividade, do ensino básico de má qualidade, de desemprego entre os jovens e da falta de correspondência entre as competências que o sujeito aprende e as que o mercado requer. Segundo pesquisa de 2013 do Manpower Group mostrada pela palestrante, 68% dos empregadores brasileiros encontravam dificuldades para preencher vagas pela escassez de mão de obra devidamente qualificada.

A consultora também chamou a atenção para práticas de ensino centradas no aluno e na aprendizagem. Ao invés de focar na quantidade de aulas, deve-se observar o que está sendo aprendido. Daí, a necessidade de programas formativos baseados no desenvolvimento de competências, para hoje e para o futuro. “Aprendemos de forma diferente porque somos diferentes. Os pontos de partida não são os mesmos”, explica.

Também se falou bastante sobre a formação dos jovens – fazê-los descobrirem do que gostam e desenvolver essas competências, atraindo sua atenção para o aprendizado e incentivando-os a ficarem no meio rural. Aspectos que o SENARjá trabalha em seus cursos inclusive por meio do empreendedorismo, mostrando a aplicabilidade do que o aluno aprende nas capacitações. Como ressalta Nina Billorou, “a palavra competência é centrada no participante. É preciso treinar a competência para motivar o aluno, descobrir um dom e desenvolvê-lo. Muitas pessoas reconhecem suas competências, mas o contexto não as motiva a mostrá-las.”

A palestrante também acredita que os países da América Latina trabalham pouco as competências básicas das pessoas – como saber ouvir, se expressar, responsabilidade, matemática e outras -; forma-se para a inserção no mercado de trabalho, mas esquece-se de uma formação ampla e integral, que desenvolva competências não só para o trabalho, mas também para a vida.

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A consultora Nina Billorou[/caption]

No Brasil Para Nina, o Brasil é pioneiro no campo da formação profissional, estando na vanguarda da América Latina – nesse sentido, ela diz que o Sistema S (que inclui o SENAR) tem tido sucesso no desenvolvimento de atores para o mundo do trabalho, em sua formação e em seu comprometimento, fundamentais para o desenvolvimento do país. Por outro lado, ela torna a chamar a atenção para a necessidade de uma formação mais ampla e integral, focada em competências: “nisso, a capacitação dos instrutores é fundamental, porque o programa pode ser muito bom, mas se eles não conseguirem passar isso, não funciona.”

O coordenador da Formação Profissional Rural do SENAR Minas, Luiz Ronilson Araújo Paiva está acompanhando os trabalhos do seminário em Lagoa Santa, onde também estão os gerentes regionais do SENAR Ulisses Silveira Costa (Governador Valadares) e Robinson Jorge Paulitsch (Sete Lagoas). Luiz Ronilson explica que o SENAR tem procurado fazer um investimento mais acentuado nos programas especiais. Logo, existe a necessidade de uma formação mais ampla para estes instrutores, desenvolvendo mais habilidades, para que esses programas sejam mais efetivos.

“O seminário é para desenvolver essas competências e trouxe vários temas em voga no agronegócio, como o empreendedorismo no meio rural, além do trabalho nas áreas gerencial e de legislação voltada ao meio rural. Vamos partir deste grupo para avaliação e realizando turmas piloto para validar novos programas e adequar os já existentes”, esclarece.

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Após a palestra, os instrutores realizaram trabalhos em grupo[/caption]

Conteúdo rico A turma de instrutores esteve o tempo todo atenta e participativa. Para Solange Regina Pinto, pedagoga de Pará de Minas que atua há cinco anos no Programa Jovem no Campo e na Promoção Social, o evento está sendo muito rico. “Isso amplia a nossa visão e entendemos que uma área depende da outra. Isso vai ao encontro do que a sociedade pede hoje”, comenta.

O veterinário que atua na área de Bovinocultura e em programas como o PAS (Programa Alimentos Seguros) Gastão Lemos Barbosa, de Boa Esperança, gostou do caráter “aberto e sem ensinamentos pré-definidos” do evento, o que, para ele, possibilitou uma maior troca de ideias. Em 15 anos como instrutor, ele avalia que a técnica de ensino melhorou, com mais ferramentas para ensinar e avaliar: “antes o ensino era muito prático, baseado em nossas vivências; hoje é mais técnico.”

Teí Gazzinelli, administradora de Teófilo Otoni que atua há 12 anos nos programas de gestão do SENAR – GQC, GQS, Gestão de Pessoas, Negócio Certo Rural e outros – se disse “encantada” com o seminário. “Estamos comprovando que nosso papel no campo é muito mais que facilitadores da aprendizagem. Somos instigadores e estamos lá para despertar no aluno a necessidade de aprender sempre – e nós precisamos nos atualizar sempre também para podermos ensinar.”

Assessoria de Comunicação do Sistema FAEMG/SENAR-MG www.sistemafaemg.org.br

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